Seis meses e a vontade de pedir demissão
O emprego não piorou. Ele só parou de ser novo, e seu cérebro cobra novidade como se fosse salário.
Nos primeiros meses, você era imbatível: aprendia tudo, chegava cedo, tinha ideia em reunião. Agora, seis meses depois, arrastar-se até as tarefas virou rotina, e a aba do LinkedIn está aberta de novo. Você já viu esse filme: é o terceiro emprego em quatro anos que começa em êxtase e termina em fuga.
A curva que se repete
Emprego novo é um pacote de tudo que o cérebro com TDAH ama: aprendizado, pessoas novas, desafio, um pingo de medo. A dopamina jorra sozinha. Aí a curva de aprendizado deita, as tarefas viram repetição, e o combustível seca. O trabalho continua o mesmo; o estímulo é que acabou. É a curva do hobby novo, com contracheque e plano de saúde em jogo.
O perigo é ler a secura como sinal de que "esse emprego não era pra mim" e trocar. O emprego seguinte entrega a mesma curva, com os mesmos seis meses de prazo. Algumas trocas são ótimas. A quinta seguida costuma ser cara: recomeço de salário, de rede, de reputação.
Trocar ou renovar?
Duas perguntas separam os casos. Primeira: o que secou foi o estímulo ou tem problema de verdade (chefia, valores, teto)? Problema real justifica saída. Segunda: você já tentou renovar o estímulo dentro deste emprego? Se a resposta é não, a troca é um palpite caro.
Renovando sem pedir as contas
- Cace o problema não resolvido. Todo time tem um processo quebrado que ninguém quer encarar. Adotar um transforma rotina em quebra-cabeça, e quebra-cabeça é combustível.
- Peça o projeto que dá medo. A tarefa levemente acima do seu nível liga o mesmo motor do emprego novo, sem trocar de crachá.
- Aprenda algo adjacente. Curso, certificação, uma skill que o cargo não exige mas o próximo degrau usa. Aprendizado é o estímulo que a rotina não entrega.
- Deixe a saída pra depois do teste. Regra pessoal: só procurar emprego depois de 90 dias tentando renovar este. Se a coceira sobreviver ao teste, ela merece respeito.
Onde o Nuky entra
A fase seca tem um risco concreto: as tarefas chatas começam a escapar, e a reputação que você construiu no êxtase escorre no tédio. O Nuky segura essa ponta: o dia organizado em passos pequenos com lembrete mantém a entrega estável enquanto você decide, com calma e não por impulso, se fica ou se vai.
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